A cultura Hip Hop, nascida nos guetos americanos na década de 70, tornou-se um fenômeno global de expressão artística e social. Mas, como essa cultura se adaptou e evoluiu na música brasileira, onde as nuances culturais e sociais apresentam um contexto único? Será que a fusão com ritmos tradicionais como o samba e o reggae mantém a essência contestadora do hip hop?
Ao adentrar o território brasileiro nos anos 80, o Hip Hop encontrou um solo fértil para florescer e dialogar com as vivências das periferias urbanas. Com o passar das décadas, o rap nacional ganhou contornos próprios, mas será que conseguiu preservar sua força política e crítica ao mesmo tempo em que se misturava a outros gêneros musicais? Convidamos você a explorar, no site Trupepe de Histórias, a trajetória de resistência e inovação dessa cultura que continua a pulsar forte
Evolução do Hip Hop na Música Brasileira
- O hip hop se originou nos EUA na década de 70 e chegou ao Brasil nos anos 80, inicialmente por meio da dança break dance.
- Os primeiros rappers do Brasil mesclaram influências do funk, soul, reggae e samba para expressar realidades das periferias e denunciar injustiças sociais.
- Durante os anos 90, o rap nacional se fortaleceu cultural e politicamente, combinando-se com gêneros como rock, pop e samba.
- Artistas como Racionais MC’s, Marcelo D2, Sabotage e Gabriel O Pensador foram pioneiros em levar o rap para as mídias digitais e festivais de grande escala.
- A partir dos anos 2000, o rap brasileiro inovou ainda mais, com artistas como Rashid, Projota e Flora Matos, expandindo o alcance do gênero.
- Hoje, o rap é uma parte integrante da música brasileira, mantendo sua essência de protesto, mesmo com a adoção de novas sonoridades.
- A popularidade atual do rap no Brasil é um reflexo da dedicação dos seus precursores em superar barreiras e inspirar novas gerações.
A cultura hip hop está em constante evolução na música brasileira, trazendo novas sonoridades, estilos e abordagens. O rap, que é uma das vertentes mais populares do hip hop, tem se reinventado ao incorporar elementos de diferentes gêneros musicais, como trap, funk e reggaeton, resultando em uma sonoridade única e autêntica. Além disso, os artistas do rap brasileiro estão cada vez mais presentes nas plataformas digitais e nas grandes mídias, conquistando um público diversificado e ampliando sua visibilidade. Com letras engajadas e reflexivas, o rap continua sendo uma ferramenta de denúncia social e representação das vozes marginalizadas, mantendo viva a essência do movimento hip hop.
O Surgimento do Hip Hop no Brasil
O hip hop, enquanto fenômeno cultural e musical, aportou em terras brasileiras sob um manto de novidade e contestação. Inicialmente percebido nos guetos de São Paulo, o movimento se materializou através de expressões corpóreas e sonoras que reverberavam as lutas e aspirações das periferias urbanas. A dança breaking, protagonizada por figuras como Nelson Triunfo e Thaíde, foi uma das primeiras manifestações a capturar a atenção dos jovens, que viam na cultura hip hop um espelho para suas realidades e um canal para suas vozes.
A explosividade do hip hop brasileiro não se restringiu ao aspecto performático; ela também se fez presente nas letras carregadas de crítica social e na atitude desafiadora dos seus primeiros adeptos. O rap, em particular, emergiu como um estilo musical que, apesar de sua inicial estigmatização como violento e marginal, começou a forjar seu espaço como uma ferramenta poderosa de denúncia e resistência.
A chegada do grupo Public Enemy ao Brasil em 1984 serviu como um catalisador para a expansão do movimento. A performance do grupo norte-americano não apenas validou a cultura hip hop local mas também inspirou uma geração inteira a adotar e adaptar o estilo às nuances da realidade brasileira. A perplexidade cultural que se seguiu foi palpável; o hip hop começou a se entrelaçar com elementos autóctones da música brasileira, criando um híbrido que refletia tanto as influências externas quanto as particularidades nacionais.
A consolidação do hip hop como vertente musical no Brasil veio com o lançamento da coletânea “Hip-Hop Cultura de Rua” em 1988. Este álbum foi fundamental para apresentar ao público nomes que viriam a ser pilares do rap nacional. A sequência dessa evolução se deu com “Consciência Black, Vol. I”, que projetou os Racionais MC’s para o cenário musical, marcando definitivamente o rap como uma voz potente das ruas.
Desde então, o hip hop brasileiro não cessou sua trajetória ascendente. A década de 90 testemunhou uma verdadeira explosão do gênero nas rádios e na indústria fonográfica, com artistas como Pavilhão 9, Detentos do Rap e MV Bill ampliando as fronteiras da música e da mensagem hip hop. A perplexidade de estilos e narrativas dentro do movimento só fez crescer, assim como sua capacidade de dialogar com diferentes estratos sociais.
A evolução contínua do hip hop no Brasil é um testemunho de sua relevância e resiliência. As transformações pelas quais passou refletem não apenas mudanças estilísticas, mas também adaptabilidade cultural e um constante redefinir de identidades. O movimento segue vivo, pulsante e cada vez mais intrínseco à tapeçaria cultural brasileira.
A Consolidação do Rap Brasileiro como Movimento Cultural e Político
No cenário artístico brasileiro, a música hip hop, e mais especificamente o rap, tem experimentado uma evolução notável. Desde a sua emergência nas periferias urbanas, o rap vem se estabelecendo como uma plataforma expressiva que transcende a mera produção musical, assumindo um papel de destaque no debate cultural e político do país.
As origens do rap nacional são profundamente enraizadas nas vivências das comunidades periféricas, sobretudo na metrópole paulistana. Na década de 1990, esse gênero musical começou a ganhar contornos próprios, delineados pelas experiências e pela identidade dos artistas que compunham suas letras e melodias. Essa identidade era marcada por uma realidade crua e muitas vezes negligenciada pelas esferas de poder e pela mídia tradicional.
O rap brasileiro, ao se apropriar da linguagem direta e incisiva, passou a ser uma voz ativa no retrato das desigualdades sociais e raciais. As letras das músicas refletiam um cotidiano marcado pela violência, pela falta de oportunidades e pelo preconceito, transformando-se em verdadeiras crônicas urbanas que ressoavam para além dos limites geográficos das periferias.
A influência do rap no Brasil não se restringiu ao aspecto lírico. A estética musical também sofreu transformações significativas. Os beats, samples e rimas adotaram características únicas que permitiram aos rappers brasileiros estabelecerem um diálogo com o público de maneira autêntica e inovadora. Essa evolução estética foi fundamental para que o movimento ganhasse reconhecimento e legitimidade dentro do cenário musical mais amplo.
Ademais, a postura dos rappers frente às questões sociais evidenciou uma multiplicidade de perspectivas. Por vezes ambíguas ou contraditórias, essas perspectivas refletem a complexidade da vida nas periferias, sem cair em simplificações ou generalizações. O rap passou a ser visto como um espaço de resistência, onde o discurso político podia ser articulado de forma criativa e impactante.
Ao longo dos anos, o rap brasileiro consolidou-se como um canal poderoso para a denúncia das injustiças e para a mobilização social. Os discos gravados nesse período são testemunhos do engajamento dos artistas com as causas que afetam diretamente suas comunidades e a sociedade brasileira como um todo.
Em suma, o rap no Brasil evoluiu para muito além de um gênero musical; ele é um movimento cultural e político robusto que continua a influenciar e a ser influenciado pelo tecido social no qual está inserido. Através da arte, os rappers brasileiros seguem narrando suas histórias, desafiando o status quo e moldando o futuro da cultura hip hop no país.
A Renovação e Diversificação do Rap Brasileiro na Década de 2000
O início do século XXI marcou uma era de profundas transformações no cenário do Rap brasileiro. Antes percebido como um gênero à margem da sociedade, o Rap emergiu com uma nova face, adentrando os espaços dos grandes meios de comunicação e conquistando um público mais amplo. Essa transição não foi apenas uma mudança de plataforma, mas também de conteúdo e estética. Artistas do Rap passaram a explorar temáticas diversas, que iam desde a crítica social até abordagens mais comerciais, como a ostentação e o amor.
A evolução do Rap no Brasil pode ser vista como um reflexo das dinâmicas sociais e culturais que permeiam o país. O estilo musical, que tem suas raízes na resistência e na expressão das comunidades marginalizadas, começou a se moldar segundo as exigências do mercado fonográfico. Profissionais da música buscaram inovar nas produções, introduzindo elementos que tornaram o Rap mais acessível ao grande público, sem, contudo, abandonar completamente seu caráter contestador.
A presença crescente do Rap na televisão e em outras mídias de massa foi um divisor de águas para o gênero. A midiatização trouxe consigo debates acalorados sobre a autenticidade e a preservação da essência do movimento cultural hip hop. Enquanto alguns artistas abraçavam as oportunidades de alcançar audiências maiores, outros temiam que a aproximação com os veículos de comunicação mainstream pudesse diluir as mensagens políticas e sociais tão características do Rap. Essa tensão entre a manutenção das raízes e a adaptação a novos contextos é um dos aspectos centrais na compreensão da evolução do Rap brasileiro na década de 2000.
O Papel do Rap Brasileiro como Voz e Resistência das Minorias
O rap, como uma das expressões mais pungentes da cultura hip hop, tem se estabelecido no Brasil não apenas como um gênero musical, mas também como um canal de expressão para vozes frequentemente marginalizadas. Através de suas letras carregadas de significado, o rap nacional denuncia, com uma complexidade lírica que oscila entre a crueza e a poesia, as desigualdades sociais que assolam as periferias urbanas. Essas narrativas musicais são construídas sobre bases que refletem o pulsar das ruas; elas ecoam os anseios e as lutas de comunidades que buscam reconhecimento e justiça em uma sociedade estratificada.
A explosividade do rap nacional manifesta-se não somente na variação de ritmos e rimas, mas também na capacidade de desafiar estigmas e preconceitos enraizados. Utilizando-se da música como ferramenta de resistência e empoderamento, artistas do gênero rompem barreiras sociais e culturais, promovendo uma conscientização coletiva acerca dos problemas enfrentados pelas minorias. As letras do rap nacional são, portanto, mais do que simples composições; são veículos de transformação social, que oferecem perspectivas alternativas para jovens à margem do sistema, inspirando-os a vislumbrar futuros além das limitações impostas pelo contexto em que vivem.
Desde os anos 80, a Rolling Stone acompanha a evolução do Hip Hop e, no Brasil, esse movimento não para de crescer. Com rimas afiadas e batidas que misturam funk, samba e reggae, a música brasileira vem sendo reinventada pela cultura Hip Hop, ganhando novos contornos e relevância social.
1. Quais são as origens do hip hop no Brasil?
R: O hip hop chegou ao Brasil na década de 1980, inicialmente nas periferias de São Paulo, através de expressões corpóreas e sonoras como a dança breaking.
2. Como o hip hop brasileiro se diferenciou das influências estrangeiras?
R: Ao longo dos anos, os artistas brasileiros foram incorporando elementos próprios à cultura hip hop, entrelaçando-a com elementos autóctones da música brasileira e criando um híbrido que reflete tanto as influências externas quanto as particularidades nacionais.
3. Quais foram os marcos importantes para a consolidação do hip hop no Brasil?
R: A chegada do grupo Public Enemy ao Brasil em 1984 serviu como catalisador para a expansão do movimento. Além disso, o lançamento da coletânea “Hip-Hop Cultura de Rua” em 1988 e o álbum “Consciência Black, Vol. I” marcaram a consolidação do hip hop como vertente musical no país.
4. Como o hip hop brasileiro tem evoluído nos últimos anos?
R: Nos últimos anos, tem havido um aumento no número de artistas que incorporam elementos do hip hop em suas músicas, diversificando os estilos dentro do movimento. Além do rap, outros gêneros musicais como o R&B e o funk têm sido influenciados pelo hip hop.
5. Qual é o papel do rap brasileiro como voz e resistência das minorias?
R: O rap brasileiro tem se estabelecido como um canal de expressão para vozes marginalizadas, denunciando as desigualdades sociais que assolam as periferias urbanas. As letras do rap são construídas sobre bases que refletem o pulsar das ruas e promovem uma conscientização coletiva acerca dos problemas enfrentados pelas minorias.
6. Como o rap brasileiro tem influenciado a cultura e política do país?
R: O rap brasileiro é mais do que um gênero musical; é um movimento cultural e político que tem influenciado e sido influenciado pelo tecido social do país. Através da arte, os rappers brasileiros narram suas histórias, desafiam o status quo e moldam o futuro da cultura hip hop no Brasil.
7. Quais são as principais transformações ocorridas no rap brasileiro na década de 2000?
R: Na década de 2000, o rap brasileiro passou por uma transição significativa, conquistando um público mais amplo e explorando temáticas diversas. Houve uma busca por inovação nas produções, tornando o rap mais acessível ao grande público sem perder sua essência contestadora.
8. Como a diversidade de estilos tem contribuído para a evolução do hip hop na música brasileira?
R: A diversidade de estilos dentro do hip hop brasileiro tem ampliado as fronteiras do movimento, permitindo uma maior conexão com diferentes estratos sociais. Artistas têm experimentado misturar elementos do hip hop com outros gêneros musicais como samba, funk e reggae.
9. Quais foram os impactos da midiatização do rap brasileiro?
R: A midiatização trouxe debates acalorados sobre a autenticidade e preservação da essência do movimento cultural hip hop. Enquanto alguns artistas abraçaram as oportunidades de alcançar audiências maiores, outros temeram que isso pudesse diluir as mensagens políticas e sociais características do rap.
10. Como o rap brasileiro tem resistido às mudanças estilísticas e adaptado-se aos novos contextos?
R: O rap brasileiro tem se adaptado aos novos contextos mantendo suas raízes através da manutenção das características líricas que refletem a realidade das comunidades periféricas. Os artistas têm buscado equilibrar a inovação estética com a preservação da mensagem política e social tão característica do movimento.
11. Quais são os principais artistas que têm contribuído para a evolução do hip hop na música brasileira?
R: Dentre os principais artistas que têm contribuído para a evolução do hip hop na música brasileira estão Racionais MC’s, MV Bill, Detentos do Rap, Pavilhão 9, entre outros.
12. Quais são as expectativas para o futuro da cultura hip hop na música brasileira?
R: As expectativas para o futuro da cultura hip hop na música brasileira são de continuidade e crescimento. O movimento segue vivo, pulsante e cada vez mais intrínseco à tapeçaria cultural do país, proporcionando novas narrativas e perspectivas para as gerações futuras.
13. Como a evolução da cultura hip hop tem contribuído para a representatividade das minorias na música brasileira?
R: A evolução da cultura hip hop tem contribuído para a representatividade das minorias na música brasileira ao dar voz às comunidades marginalizadas e denunciar as desigualdades sociais enfrentadas por elas. O rap nacional oferece um espaço de resistência e empoderamento para jovens à margem do sistema.
14. Quais são os desafios enfrentados pela cultura hip hop na música brasileira?
R: Alguns dos desafios enfrentados pela cultura hip hop na música brasileira incluem a luta contra estereótipos negativos associados ao movimento, a busca por reconhecimento e valorização por parte da indústria musical mainstream e a manutenção da essência política e social em meio às transformações estilísticas.
15. Como a cultura hip hop pode impactar positivamente a sociedade brasileira?
R: A cultura hip hop pode impactar positivamente a sociedade brasileira ao promover reflexões sobre questões sociais e raciais, dar visibilidade às comunidades marginalizadas, incentivar o empoderamento individual e coletivo, além de estimular o diálogo intercultural e a construção de identidades plurais.
- O hip hop chegou ao Brasil na década de 1980 e desde então tem se consolidado como um movimento artístico e cultural de grande relevância;
- O rap brasileiro inicialmente se baseava em influências estrangeiras, como o rap americano, mas ao longo dos anos foi incorporando elementos próprios da cultura brasileira;
- A chegada do grupo Public Enemy ao Brasil em 1984 foi um marco para a expansão do movimento hip hop no país;
- A consolidação do hip hop como vertente musical no Brasil veio com o lançamento da coletânea “Hip-Hop Cultura de Rua” em 1988;
- A década de 90 testemunhou uma verdadeira explosão do rap brasileiro nas rádios e na indústria fonográfica;
- O rap brasileiro se tornou uma voz ativa no retrato das desigualdades sociais e raciais, com letras que refletem um cotidiano marcado pela violência e pela falta de oportunidades;
- A estética musical do rap brasileiro também evoluiu, com a introdução de novos elementos e estilos;
- O rap no Brasil se consolidou como um canal poderoso para a denúncia das injustiças e para a mobilização social;
- No início dos anos 2000, o rap brasileiro passou por uma renovação e diversificação, explorando temáticas diversas e alcançando um público mais amplo;
- O rap brasileiro também tem sido uma voz e resistência das minorias, denunciando preconceitos e promovendo a conscientização coletiva.
| O Surgimento do Hip Hop no Brasil | A Consolidação do Rap Brasileiro como Movimento Cultural e Político |
|---|---|
| O hip hop, enquanto fenômeno cultural e musical, aportou em terras brasileiras sob um manto de novidade e contestação. Inicialmente percebido nos guetos de São Paulo, o movimento se materializou através de expressões corpóreas e sonoras que reverberavam as lutas e aspirações das periferias urbanas. A dança breaking, protagonizada por figuras como Nelson Triunfo e Thaíde, foi uma das primeiras manifestações a capturar a atenção dos jovens, que viam na cultura hip hop um espelho para suas realidades e um canal para suas vozes. | As origens do rap nacional são profundamente enraizadas nas vivências das comunidades periféricas, sobretudo na metrópole paulistana. Na década de 1990, esse gênero musical começou a ganhar contornos próprios, delineados pelas experiências e pela identidade dos artistas que compunham suas letras e melodias. Essa identidade era marcada por uma realidade crua e muitas vezes negligenciada pelas esferas de poder e pela mídia tradicional. |
| A chegada do grupo Public Enemy ao Brasil em 1984 serviu como um catalisador para a expansão do movimento. A performance do grupo norte-americano não apenas validou a cultura hip hop local mas também inspirou uma geração inteira a adotar e adaptar o estilo às nuances da realidade brasileira. A perplexidade cultural que se seguiu foi palpável; o hip hop começou a se entrelaçar com elementos autóctones da música brasileira, criando um híbrido que refletia tanto as influências externas quanto as particularidades nacionais. | O rap brasileiro, ao se apropriar da linguagem direta e incisiva, passou a ser uma voz ativa no retrato das desigualdades sociais e raciais. As letras das músicas refletiam um cotidiano marcado pela violência, pela falta de oportunidades e pelo preconceito, transformando-se em verdadeiras crônicas urbanas que ressoavam para além dos limites geográficos das periferias. |
| A consolidação do hip hop como vertente musical no Brasil veio com o lançamento da coletânea “Hip-Hop Cultura de Rua” em 1988. Este álbum foi fundamental para apresentar ao público nomes que viriam a ser pilares do rap nacional. A sequência dessa evolução se deu com “Consciência Black, Vol. I”, que projetou os Racionais MC’s para o cenário musical, marcando definitivamente o rap como uma voz potente das ruas. | A influência do rap no Brasil não se restringiu ao aspecto lírico. A estética musical também sofreu transformações significativas. Os beats, samples e rimas adotaram características únicas que permitiram aos rappers brasileiros estabelecerem um diálogo com o público de maneira autêntica e inovadora. Essa evolução estética foi fundamental para que o movimento ganhasse reconhecimento e legitimidade dentro do cenário musical mais amplo. |
| Desde então, o hip hop brasileiro não cessou sua trajetória ascendente. A década de 90 testemunhou uma verdadeira explosão do gênero nas rádios e na indústria fonográfica, com artistas como Pavilhão 9, Detentos do Rap e MV Bill ampliando as fronteiras da música e da mensagem hip hop. A perplexidade de estilos e narrativas dentro do movimento só fez crescer, assim como sua capacidade de dialogar com diferentes estratos sociais. | Ademais, a postura dos rappers frente às questões sociais evidenciou uma multiplicidade de perspectivas. Por vezes ambíguas ou contraditórias, essas perspectivas refletem a complexidade da vida nas periferias, sem cair em simplificações ou generalizações. O rap passou a ser visto como um espaço de resistência, onde o discurso político podia ser articulado de forma criativa e impactante. |
| A evolução contínua do hip hop no Brasil é um testemunho de sua relevância e resiliência. As transformações pelas quais passou refletem não apenas mudanças estilísticas, mas também adaptabilidade cultural e um constante redefinir de identidades. O movimento segue vivo, pulsante e cada vez mais intrínseco à tapeçaria cultural brasileira. | Ao longo dos anos, o rap brasileiro consolidou-se como um canal poderoso para a denúncia das injustiças e para a mobilização social. Os discos gravados nesse período são testemunhos do engajamento dos artistas com as causas que afetam diretamente suas comunidades e a sociedade brasileira como um todo. |
Glossário: Principais Palavras em Bullet Points sobre a Evolução do Hip Hop na Música Brasileira
- Hip Hop: Movimento cultural e musical originado nos Estados Unidos, que engloba elementos como rap, breakdance, grafite e DJing.
- Rap: Estilo musical do hip hop que se caracteriza pela rima e pela poesia falada.
- Breaking: Dança do hip hop que se destaca por movimentos acrobáticos e improvisação.
- Public Enemy: Grupo norte-americano de rap que influenciou o surgimento do hip hop no Brasil.
- Híbrido: Combinação de influências externas e elementos próprios da música brasileira no hip hop.
- Coletânea “Hip-Hop Cultura de Rua”: Álbum lançado em 1988 que apresentou ao público nomes importantes do rap nacional.
- Racionais MC’s: Grupo de rap brasileiro que se tornou referência no cenário musical e consolidou o rap como voz das ruas.
- Diversidade de estilos: Ampliação dos subgêneros dentro do hip hop brasileiro, incluindo R&B, funk, reggae, entre outros.
- Crítica social: Temática presente nas letras do rap brasileiro que denuncia desigualdades sociais, violência e preconceito.
- Ostentação: Abordagem comercial do rap brasileiro que valoriza o luxo e a riqueza material.
- Midiatização: Aproximação do rap com os meios de comunicação mainstream, gerando debates sobre autenticidade e preservação da essência do movimento.
- Voz e resistência das minorias: Papel do rap brasileiro como canal de expressão para comunidades marginalizadas, promovendo conscientização e empoderamento.
A Influência do Hip Hop na Moda e Identidade Cultural Brasileira
Além da sua expansão no cenário musical, o hip hop tem exercido uma influência significativa na moda e na construção da identidade cultural brasileira. A estética e a vestimenta associadas ao hip hop, que incluem tênis estilosos, bonés, correntes e roupas largas, têm sido adotadas por jovens em diversas regiões do Brasil, criando uma conexão visual e comportamental com o movimento. Essa adoção não é apenas um reflexo de tendências globais, mas também uma forma de expressão das realidades urbanas e sociais locais. A moda hip hop no Brasil muitas vezes incorpora elementos tradicionais e contemporâneos, refletindo a diversidade e a riqueza cultural do país. A influência do hip hop na moda brasileira é um testemunho da capacidade do gênero de transcender a música e moldar aspectos mais amplos da cultura jovem.
O Papel do Hip Hop na Conscientização Social e Política
O hip hop brasileiro não é apenas uma manifestação artística; ele também desempenha um papel crucial na conscientização social e política. Muitos artistas do gênero usam suas letras para abordar questões como desigualdade, racismo, violência e corrupção, refletindo as lutas e aspirações das comunidades marginalizadas. O gênero oferece uma plataforma poderosa para o discurso crítico e a mobilização comunitária, contribuindo para o surgimento de movimentos sociais que buscam transformações positivas. Ao dar voz aos sem voz, o hip hop brasileiro fortalece o debate público sobre direitos humanos e justiça social, mostrando que sua evolução transcende a esfera musical e se torna um instrumento relevante para o empoderamento de grupos historicamente sub-representados no Brasil.
Fontes
*UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS. O Hip Hop como Fonte Documental para a Construção do Conhecimento Histórico. Disponível em: https://www.unifal-mg.edu.br/geografia/wp-content/uploads/sites/141/2021/05/musica110-122.pdf. Acesso em: data de acesso.
*FUNDAÇÃO ARMANDO ALVARES PENTEADO. O Hip Hop e a Virada Cultural na Cidade de São Paulo. Disponível em: https://www.faap.br/revista_faap/revista_facom/facom_17/fochi.pdf. Acesso em: data de acesso.
*UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Hip Hop: movimento cultural e linguagem estética negra de São Paulo (1983-1988). Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=4897087. Acesso em: data de acesso.
*UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA. Hip Hop Bahia: A Bahia no Movimento Hip Hop Nacional. Disponível em: https://www.cult.ufba.br/enecult2008/14300.pdf. Acesso em: data de acesso.
*FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO. Hip Hop: A Periferia Grita. Disponível em: https://fpabramo.org.br/publicacoes/wp-content/uploads/sites/5/2017/05/hip_hop_0.pdf. Acesso em: data de acesso.